Sábado, dia nublado e abafado no RJ.
A princípio iríamos ao Theatro Municipal para a visita guiada, mas justamente neste dia ela havia sido cancelada. Mudança de planos.
Para caminhar por esse cenário, escolhi um look confortável e intencional: t-shirt branca com estampa simbólica, colete preto estruturando a silhueta, short de alfaiataria e bota preta, perfeita para as longas caminhadas e coerente com o ambiente urbano. Uma proposta simples, mas com identidade.
Partimos para a Praça XV. Fomos a pé pelas ruas do Centro do Rio: saindo da Cinelândia, seguindo pela Rio Branco, passando pela Primeiro de Março, Largo da Carioca… uma mistura viva de passado e moderno.
A Avenida Rio Branco, aberta no início do século XX para modernizar a cidade, com seus prédios imponentes e fachadas que lembram a Paris tropicalizada. A Rua Primeiro de Março, uma das mais antigas do Rio, antigo eixo político do Brasil colonial, onde decisões imperiais foram tomadas. O Largo da Carioca, ponto histórico de encontro popular.
Entre prédios antigos e arranha-céus envidraçados, cada construção com sua estética própria, sua linguagem arquitetônica, sua época. O clássico dialogando com o contemporâneo. Pedra, vidro, ferro, concreto. Tudo coexistindo.
Chegamos à Praça XV.
O movimento era intenso. A tradicional Feira de Antiguidades da Praça XV ocupava o espaço com uma diversidade incrível de pessoas, culturas e objetos.
E ali não existe neutralidade histórica. A Praça XV é um dos espaços mais antigos do Rio. No período colonial, era o principal ponto de desembarque da cidade. Foi porto estratégico, centro administrativo e palco de decisões que moldaram o Brasil.
O Paço Imperial, a poucos passos dali, foi residência de vice-reis e da família real portuguesa após 1808. Foi ali que aconteceu o “Dia do Fico”, momento decisivo que antecedeu a Independência.
Ou seja: aquele chão já sustentou império e república. Hoje, ele sustenta feira.
O contraste é fascinante. Turistas estrangeiros misturados ao povo carioca. Jovens, senhores, colecionadores atentos, curiosos como eu. Uma mistura estética também nas roupas: do casual urbano ao vintage improvisado, do turista despretensioso ao carioca, acostumado com calor e informalidade. Amei.
Roupas, calçados, móveis antigos, moedas organizadas em álbuns, louças delicadas, jogos, brinquedos, super-heróis embalados, relíquias inesperadas… uma infinidade de coisas. Cada banca era uma cápsula do tempo.
As moedas antigas ali expostas dialogavam silenciosamente com a antiga Casa da Moeda que funcionou naquela mesma região. A feira, de certa forma, ecoa o passado comercial e político da praça, mas agora sob uma lógica popular, democrática, espontânea.
É o tipo de passeio que vale cada passo. Você se surpreende com as camadas. Informação, memória, estética, comportamento urbano. Tudo acontece ao mesmo tempo.
Seguindo mais um pouco, chegamos à Rua do Mercado, localizada logo atrás da Praça XV. Aos sábados, o grupo Mal de Raiz costuma se apresentar a partir das 14h, na esquina com a Rua do Ouvidor.Um sambinha de respeito para animar. Música boa, raiz, carioca. Violão, voz, ritmo que atravessa o corpo. Excelente.
Lugar bem aconchegante e agradável. Paramos em um restaurante para aquela cervejinha bemmm gelada e uma comidinha deliciosa, um mix árabe super recomendado por R$99. Mesa ao ar livre, guarda-sóis coloridos, conversa alta, gente circulando. Uma diversidade também gastronômica, reflexo da própria formação cultural da cidade.
Talvez o Rio de Janeiro seja exatamente isso: essa mistura. A tão conhecida miscigenação. Muitos turistas estrangeiros em meio ao nosso povo carioca, gente trabalhadora, que aos finais de semana, tenta ao menos se divertir, como se cada encontro, cada samba, cada cerveja fosse um pequeno alívio para curar dores ancestrais.
Centro do Rio de Janeiro é isso. Passado e presente em um só lugar.
















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